O Livro dos Espíritos – 160 Anos

Cartaz Ciclo de Palestras 04 2017

Cartaz Feira do Livro 04 2017

Para não espanar

Desemprego galopante, surpreendente. Crises sociais intensas. Preocupações e angústias que se multiplicam. Desafiantes situações surgem diariamente para indivíduos, empresas, instituições, famílias. Tanto na área do relacionamento, dos questionamentos interiores, na empregabilidade, na saúde, na violência ou na indiferença, tudo convidando a rever posturas e posicionamentos, estimulando novas buscas, convidado à renovação e derrubando velhos e ultrapassados paradigmas.
Por mais paradoxal que possa parecer, são situações necessárias. Justamente para nos despertar dessa letargia da indiferença ou do comodismo, da incredulidade.

Causas? Não é difícil indicar. O materialismo, ou a crença no nada, a busca desenfreada do prazer, o valorizar da ganância, do poder, do dinheiro, em detrimento dos valores essenciais.
Diz-nos, todavia, o poema de Cruz e Souza (1861-1898), poeta catarinense de emotividade delicada: (em Parnaso de Além-Túmulo, ed. FEB, página 385 da 19ª edição, de abril/16)

Aos torturados
Torturados da vida, um passo adiante;
Nos desertos dos áridos caminhos,
Abandonados, trêmulos, sozinhos,
Infelizes na dor a cada instante

Sobre a luz que vos guia, bruxuleante,
E além dos trilhos de ásperos espinhos,
Fulgem no Além os deslumbrantes ninhos,
Mundos de amor no claro azul distante…

Chorai! Que a imensidade inteira chora
Sonhando a mesma luz e a mesma aurora
Que idealizais chorando nas algemas!

Vibrai no mesmo anseio em que palpita
A alma universal, sonhando, aflita,
As perfeições eternas e supremas!

É que a vida é muito mais que os áridos caminhos da vida humana. Aqui são degraus de aprendizado, abrindo caminho para felicidade concreta que alcançaremos. Mas há o preço do aprendizado e do amadurecimento. Para não espanarmos, pois, na tristeza ou no descontrole, a diretriz é Prosseguir! Sempre confiantes, determinados, ativos e especialmente comprometidos com o bem geral e, claro, com a poderosa ferramenta da fé. Da fé que raciocina, que pensa, que analisa, que observa. Não aquela que vacila diante dos obstáculos.

Apertam as situações? Pressionam as adversidades? Bom sinal! É clara a indicação que estamos sendo convocados a sair do comodismo e da indiferença, da descrença e do desamor, convidados claramente agora à vivência da fraternidade. Exatamente aquela que nos ensina a amar. Se não formos espontâneos na busca dessa singular oportunidade, vem a dor cumprir seu papel e despertar nossa insensibilidade. Melhor, pois, agir com inteligência e desenvolvermos em nós mesmos os mecanismos do amor.

Esperam-nos panoramas iluminados de amor e felicidade, no futuro. Mas temos que construir uma escada e subir seus degraus. Daí a importância vital da iniciativa!

Inspiremo-nos no bem geral, deixemo-nos contagiar pela vontade ser útil, dispensemos o egoísmo e a vaidade, esqueçamos a ganância, excluamos o orgulho que se fere tão fácil e olhemo-nos com os olhos repletos de compreensão descobrindo os intensos valores que todos possuímos, passaportes que nos levarão às moradas de felicidade que nos aguardam de portas abertas.

por Orson Peter Carrara

Há mais coisas entre o céu e as células do que sonha nossa vã filosofia

Wellington Balbo – Salvador BA.

Hoje a onda é alimentação saudável. Corta açúcar, malha, deixa refrigerante de lado, evita-se gorduras saturadas… As academias nunca contaram com tantos adeptos e até o futebol entrou na onda. Tudo muito profissional. Hoje nem tem espaço para “boleiros”, ou o cara entra no esquema de cuidar do corpo ou tá fora. Regimes, dietas, nutricionistas a postos. Tudo para uma boa qualidade de vida. Colesterol controlado, doenças cardiovasculares afastadas… Opa! Doenças cardiovasculares afastadas? Nem tanto. Ainda morremos um bocado do coração, AVC e enfermidades irmanadas.

É claro, todavia, que o corpo agradece todos os cuidados que temos com ele. E responde bem, mas deve-se considerar que não somos apenas um corpo físico.
E se o corpo carece de boa alimentação, o psiquismo também necessita. E é bem ai que a coisa começa a pegar. Passe pelas redes sociais, ligue a televisão, veja a internet e perceberá o que digo. Não sabemos nos alimentar psiquicamente. Deveria existir nas universidades um curso de nutrição psíquica, que, aliás, foi dado por Allan Kardec no século XIX quando descortinou as relações entre os visíveis e invisíveis.

E diz o nobre pensador francês em A Gênese, cap XIV, que os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável.

Repare como Kardec tem razão. Quando há uma desavença doméstica o ambiente fica pesado, não raro as pessoas sentem-se mal e têm até dificuldade de raciocinar. E por que isto ocorreu? Porque o ambiente está envenenado psiquicamente. Chegue próximo à uma pessoa que só reclama, conviva com ela, fique bem próxima e perceba como o ambiente ao seu lado está constantemente denso, pesado, desagradável.

Por isso vale questionar:
Será que cuidamos do psiquismo? Será que cuidamos do psiquismo das nossas crianças?
Filho, diz o pai, você tem de ser o melhor, sempre o melhor.
É sua obrigação passar no vestibular, porquanto estudou em escola particular.
Não, meu filho, nada de escolher esta profissão pois não dá dinheiro e você precisa ser alguém na vida.
Já vi muito isso acontecer. E quando não “atropelamos os filhos” fazemos com nós mesmos.
Estou com pressa.
Não tenho tempo.
A vida anda corrida.
Culpa do governo.
O mundo é dos espertos.
Teori foi assassinado.
Elvis não morreu.

É pressão para todo lado, são maus pensamentos em todos os instantes o que, claro, polui.
E, então, passamos a alimentar nosso psiquismo com “porcarias”. Engordamos. Ficamos mais pesados, mundo trovejando, vida complicada. Estresse, remédio para insônia, reclamações contumazes…

Bons livros, pensamentos edificantes, conversas amenas, estudo do Espiritismo e troca de experiências agradáveis são algumas das “alimentações saudáveis” para a mente a colaborar com um mundo mais saudável psiquicamente.
É preciso, pois, haver equilíbrio em nosso estilo de vida, caso contrário, teremos um corpo legal mas viveremos estressados, negativos, perturbados e, pior, com síndrome de perseguição.
Eis o ponto: cuidar do corpo sem esquecer-se da mente, da alimentação psíquica saudável.

É como dizia nosso Shakespeare:
“Há mais coisas entre o céu e as células do que sonha nossa vã filosofia”.

Aprendizado eterno

O professor de violino ouvia, admirado, a pretensão daquele velhinho lúcido e ágil, não obstante seus 82 anos.
– Quero ser seu aluno!
– Muita bem, sr. Antônio, seja feita sua vontade. Saiba, porém, que, não sendo jovem, terá dificuldade no aprendizado, mesmo porque se trata de um instrumento musical dos mais complexos.
– Tudo bem, meu filho. Estou disposto a enfrentar essa “barra”, mesmo com minhas limitações…
O professor não se conformava:
– Sua iniciação lhe tomará vários anos dedicados a estudos e exercícios. Considerando que, pela ordem natural, sua existência está no ocaso, não lhe parece um desperdício?
O velhinho sorriu e encerrou o assunto, esclarecendo:
– Em absoluto! O esforço do aprendizado não só me oferecerá motivações existenciais, alegrando meu presente, como preparará meu futuro. Retornarei ao Além com noções musicais valiosas. Enriquecerão meus patrimônios culturais, favorecendo minha reintegração na pátria espiritual. Lá também há violinistas!

***

Não há existências findantes – apenas etapas de aprendizado que se completam, as quais podem ser aproveitadas integralmente, favorecendo o porvir.
A vocação de hoje iniciou-se no aprendizado de ontem, tanto quanto o talento do futuro começa no esforço do presente.
Aprender, em qualquer idade é o caminho mágico de realizações gloriosas. Quem o faz com perseverança vai em frente, crescendo sempre, sem cansar nunca.

Richard Simonetti
Livro “Atravessando a Rua”

Saúde é Trabalhar

Ao longo de sua luminosa trajetória, Chico experimentou inúmeros problemas de saúde, sem permitir que os males físicos o inibissem.

Indagado, certa feita, se em algum momento sentira impaciência ou revolta, explicou:
– Não sofro tanto assim, porque a ciência médica está bastante avançada. Tenho, por exemplo, um processo de catarata inoperável e há décadas faço a medicação em meus olhos, com muita calma, porque considero, conforme me ensinou Emmanuel, que a possibilidade de ver já é um privilégio.
Notável postura, não é mesmo, leitor amigo? Um convite à reflexão em torno de males que não nos afligiriam tanto, se não os imaginássemos capazes de paralisar nossas iniciativas e descolorir nossa existência.
A forma como o mentor espiritual sedimentou-lhe essa convicção é bastante pitoresca.
Certa feita, lutando por debelar um processo hemorrágico no olho direito, Chico deixou de participar dos trabalhos mediúnicos por dois dias.
Emmanuel veio vê-lo.
– Por que não está trabalhando?
E Chico, ensaiando agastamento:
– Como o senhor sabe, estou com um olho doente.
O guia não deixou barato:
– E o outro, o que está fazendo? Ter dois olhos é luxo!
Chico conclui, após relatar o episódio:
– Poder trabalhar, não obstante a doença, já é quase saúde.

***
Diariamente, milhões de brasileiros justificam sua ausência no serviço, apresentando atestados médicos, a informar que estiveram impossibilitados de exercer suas funções.
Há algo do chamado jeitinho brasileiro em muitas dessas iniciativas, com as quais se pretende matar o serviço, em favor de alguns dias no dolce fare niente dos italianos.
Em relação às atividades espirituais e filantrópicas, no Centro Espírita, acontece com freqüência maior, lamentavelmente.
Isso porque não há necessidade de atestado. Geralmente, os faltosos nem se dão ao trabalho de avisar, ocasionando sérios embaraços em determinados setores.
Particularmente na atividade mediúnica, tal comportamento é altamente danoso, porquanto, não raro, um planejamento cuidadosamente elaborado pelos benfeitores espirituais é prejudicado pela ausência de um ou mais participantes.
Deixam de comparecer por motivos triviais:

• Chuva.
• Frio.
• Cansaço.
• Desinteresse.
• Sono.
• Visita.
• Mal-estar.

Com relação a este último motivo, não se dão conta os médiuns de que, freqüentemente, uma enxaqueca, uma dor, uma tensão nervosa, um ânimo caído, decorrem da presença da entidade que deverá comunicar-se por seu intermédio.
Os mentores espirituais antecipam a ligação, a fim de que ocorra melhor familiaridade com o Espírito, favorecendo a manifestação.
O médium, que deveria saber disso, deixa de comparecer, por estar doente.

***

Em qualquer situação, no dia-a-dia, oportuno lembrar que o trabalho é o melhor remédio para nossos males.
Como o próprio Chico ensina, trabalhar, mesmo estando doente, já é um começo de recuperação.
Espiritualmente, haverá demonstração mais exuberante de saúde do que alguém disposto a servir, mesmo estando doente?

Livro Rindo e Refletindo com Chico Xavier
Richard Simonetti

Ide e ensinar

“Portanto, ide e ensinai…” Jesus (Mateus, 28:19)

Estudando a recomendação do Senhor aos discípulos – ide e ensinai -, é justo não olvidar que Jesus veio e ensinou.

Veio da Altura Celestial e ensinou o caminho de elevação aos que jaziam atolados na sombra terrestre.

Poderia o Cristo haver mandado a lição por emissários fiéis… poderia ter falado brilhantemente esclarecendo como fazer… Preferiu, contudo, para ensinar com segurança e proveito, vir aos homens e viver com eles, para mostrar-lhes como viver no rumo da perfeição.

Para isso, antes de tudo, fez-se humilde e simples na Manjedoura, honrou o trabalho e o estudo no lar e, em plena atividade pública, foi o irmão providencial de todos, amparando a cada um, conforme as suas necessidades.

Com indiscutível acerto, Jesus é chamado o Divino Mestre.

Não porque possuísse uma cátedra de ouro…

Não porque fosse o dono da melhor biblioteca do mundo…

Não porque simplesmente exaltasse a palavra correta e irrepreensível…

Não porque subisse ao trono da superioridade cultural, ditando obrigações para os ouvintes…

Mas sim porque alçou o próprio coração ao amor fraterno e, ensinando, converteu-se em benfeitor de quantos lhe recolhiam os sublimes ensinamentos.

Falou-nos do Eterno Pai e revelou-nos, com o seu sacrifício, a justa maneira de buscá-Lo.

Se te propões, desse modo, cooperar com o Evangelho, recorda que não basta falar, aconselhar e informar.

“Ide e ensinai”, na palavra do Cristo, quer dizer “ide e exemplificai para que os outros aprendam como é preciso fazer.”

Pelo Espírito Emmanuel.
Médium Francisco Cândido Xavier.

Estude Kardec

Todas as obras de Kardec relacionadas entre si, nas partes, capítulos e itens. É Kardec explicando Kardec.
Todas as obras de Kardec relacionadas entre si, nas partes, capítulos e itens. É Kardec explicando Kardec.

 A Kardecpedia é uma plataforma interativa que facilita o estudo das obras de Allan Kardec, o fundador da Doutrina Espírita, ou Espiritismo. Palavra por ele criada para designar a doutrina exposta na sua primeira grande obra: O Livro dos Espíritos. O Espiritismo foi definido por Kardec como “uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”.

Na Kardecpedia, todas as obras de Kardec são apresentadas nos idiomas português e francês. Em inglês e espanhol, serão apresentadas apenas aquelas obras que já existem traduzidas e em domínio público.

O usuário poderá interagir com a Kardecpedia propondo novos relacionamentos entre os itens que compõem cada obra, bem como enviando cópias digitais de livros de Kardec e de outros livros por ele citados.

“COMPREENDER KARDEC PARA VIVER KARDEC”

A mensagem do Natal

Estes dias são de alegria e contentamento.
O sol brilha radioso.
Os dias são claros e exuberantes.
Nesta época, os romanos já faziam o seu culto ao deus sol.
Natal.

Na mídia, nas vitrines das lojas, as imagens referentes.
O Papai Noel, na recordação do bispo Nicolau a distribuir brinquedos para as crianças e alimentos para as famílias carentes.
O pinheirinho na celebração do dom da vida.
O presépio na doce recordação de Francisco de Assis do nascimento de Jesus.
Dias de compras de presentes para as trocas familiares e de amizades.
Campanhas solidárias para amenizar o sofrimento e a tristeza dos marginalizados na passagem do Natal dos despossuídos.

Construção de um tempo de paz e esperanças.
Mensagens fraternas são trocadas pelos meios de comunicação, desde o tradicional cartão de boas festas aos meios tecnológicos da televisão, do celular, do tablet.
Voltemos ao nascimento de Jesus, meditemos e reflexionemos sobre a sua mensagem imperecível.
Com todo o seu poder espiritual, ao nascer é acolhido na humilde e tosca manjedoura.

natal_cristaoAinda criança, junto com os pais, visita o Templo de Jerusalém e conversa amigável, de igual para igual, com doutores da lei e sacerdotes, sem deixar-se enredar pelas malhas do culto dominador.
Ao iniciar seu contato libertador do corpo e da alma com o povo, escolhe a festa familiar das bodas de Caná, para sinalizar a sua presença junto ao povo.
Convida pescadores, homens e mulheres pobre e simples para serem porta vozes da sua Boa Nova; e, também, o coletor de impostos Mateus.

Estende as mãos para curar os corpos enfermos a fim de despertar os espíritos imortais para que caminhem em direção a felicidade plena.
Acolhe os sofredores, as crianças, os idosos, as mulheres, mas verbera duramente os fariseus, que eram zelosos do culto religioso externo, no entanto no “seu” dizer: túmulos caiados por fora e podres por dentro.
Acompanhado pela multidão dos aflitos, sobe o monte e profere para eles as bem aventuranças que compensarão os pobres, os que choram, os injustiçados, os perseguidos.

Do alto do seu amor não deixa de alertar os poderosos injustos e os ricos desonestos para eles proferindo os “ai de vós”!
Afirma a regra áurea para a convivência humana: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo com a si mesmo.

Desafiado farisaícamente a dizer quem é o próximo, canta o maior hino de fraternidade e solidariedade narrando a parábola do samaritano.
Ao contrario do levita e do sacerdote, autoridades religiosas, que não reconheceram o próximo, exalta o discriminado samaritano como o identificador, de forma admirável e exemplar, do próximo.

Em momentos oportunos conta histórias sobre o amor e a justiça, usando o grão de mostarda, o solo, a porta estreita e a porta larga, o filho pródigo, a ovelha desgarrada para iluminar a mente e o sentimento, de cultos e incultos, da plebe e da elite.
Traído pela ganância e desejo de poder de um discípulo, não o afasta, nem o abandona após o pérfido ato.

Tranquilamente enfrenta o poder lacaio de Herodes e a presunção do ilusório poderio romano encarnado na tíbia figura de Pôncio Pilatos.
Alteia-se na cruz do martírio, consolidando sua mensagem de amor e paz, acompanhado por dois ladrões apontando-lhes a grandiosidade da vida espiritual.
Sim, do berço à cruz a imorredoura mensagem de Jesus.
Glória a Deus no Universo e paz na Terra com Jesus.
Feliz Natal e Novo Ano com saúde e profícuas realizações!

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

​O Celeste Desafio

É fácil aplaudir o bem e exaltá-la nos minutos felizes do mundo.ddec63fc7627f3485bf2e0a3636a2819.jpg

Quem não saberá partilhar a ventura do amigo e embriagar-se de júbilo na companhia de um coração amado?
Mas transformar o adversário em irmão, convertendo a treva em luz e o ódio em amor, constitui serviço sacrificial que somente os espíritos valorosos e heróicos conseguem realizar.
É, por isso, que a exemplificação do Cristo é celestial desafio à nossa alma.
Podendo resplandecer, apagou-se ao olhar dos homens.
Com infinitos recursos de mandar, preferiu obedecer.
Dispondo de imensas legiões de trabalhadores, consagrou-se, ele mesmo, ao serviço comum.
Rei divino, fez-se escravo, lavando os pés dos próprios discípulos.
Justo Juiz, quando acusado indevidamente, ao invés de reclamar e justificar-se, escolheu o silêncio por norma de ação.
Senhor da Vida Eterna, julgou mais acertado imolar-se na cruz, submetendo-se às sombras da morte, que disputar com os homens que Ele se propunha ajudar e salvar.
Procuremos, assim, acompanhar o Senhor, embora as aflições do caminho estreito, porque somente aprendendo e trabalhando, amando e servindo é que seguiremos no roteiro de ascensão que Jesus nos legou.

Pelo Espírito Meimei
Médium: Francisco Cândido Xavier
Do livro “Cartas do Coração

FAZER O BEM SEM OSTENTAÇÃO

1. Tende cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não recebereis recompensa de vosso Pai que está nos céus. – Assim, quando derdes esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. – Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; – a fim de que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará. (S. MATEUS , 6:1 a 4.)
2. Tendo Jesus descido do monte, grande multidão o seguiu. – Ao mesmo tempo, um leproso veio ao seu encontro e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, poderás curar-me. – Jesus, estendendo a mão, o tocou e disse: Quero-o, fica curado; no mesmo instante desapareceu a lepra. – Disse-lhe então Jesus: abstém-te de falar disto a quem quer que seja; mas, vai mostrar-te aos sacerdotes e oferece o dom prescrito por Moisés, a fim de que lhes sirva de prova. (S. MATEUS , 8:1 a 4.)

3. Em fazer o bem sem ostentação há grande mérito; ainda mais meritório é ocultar a mão que dá; constitui marca incontestável de grande superioridade moral, porquanto, para encarar as coisas de mais alto do que o faz o vulgo, mister se torna abstrair da vida presente e identificar-se com a vida futura; numa palavra, colocar-se acima da Humanidade, para renunciar à satisfação que advém do testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Aquele que prefere ao de Deus o sufrágio dos homens prova que mais fé deposita nestes do que na Divindade e que mais valor dá à vida presente do que à futura. Se diz o contrário, procede como se não cresse no que diz.

Quantos há que só dão na esperança de que o que recebe irá bradar por toda a parte o benefício recebido! Quantos os que, de público, dão grandes somas e que, entretanto, às ocultas, não dariam uma só moeda! Foi por isso que Jesus declarou: “Os que fazem o bem ostentosamente já receberam sua recompensa.” Com efeito, aquele que procura a sua própria glorificação na Terra, pelo bem que pratica, já se pagou a si mesmo; Deus nada mais lhe deve; só lhe resta receber a punição do seu orgulho. Não saber a mão esquerda o que dá a mão direita é uma imagem que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta. Mas, se há a modéstia real, também há a falsa modéstia, o simulacro da modéstia. Há pessoas que ocultam a mão que dá, tendo, porém, o cuidado de deixar aparecer um pedacinho, olhando em volta para verificar se alguém não o terá visto ocultá-la. Indigna paródia das máximas do Cristo! Se os benfeitores orgulhosos são depreciados entre os homens, que não será perante Deus?

Também esses já receberam na Terra sua recompensa. Foram vistos; estão satisfeitos por terem sido vistos. É tudo o que terão. E qual poderá ser a recompensa do que faz pesar os seus benefícios sobre aquele que os recebe, que lhe impõe, de certo modo, testemunhos de reconhecimento, que lhe faz sentir a sua posição, exaltando o preço dos sacrifícios a que se vota para beneficiá-lo? Oh! para esse, nem mesmo a recompensa terrestre existe, porquanto ele se vê privado da grata satisfação de ouvir bendizer-lhe do nome e é esse o primeiro castigo do seu orgulho. As lágrimas que seca por vaidade, em vez de subirem ao Céu, recaíram sobre o coração do aflito e o ulceraram. Do bem que praticou nenhum proveito lhe resulta, pois que ele o deplora, e todo benefício deplorado é moeda falsa e sem valor.

A beneficência praticada sem ostentação tem duplo mérito. Além de ser caridade material, é caridade moral, visto que resguarda a suscetibilidade do beneficiado, faz-lhe aceitar o benefício, sem que seu amor-próprio se ressinta e salvaguardando-lhe a dignidade de homem, porquanto aceitar um serviço é coisa bem diversa de receber uma esmola. Ora, converter em esmola o serviço, pela maneira de prestá-lo, é humilhar o que o recebe, e, em humilhar a outrem, há sempre orgulho e maldade. A verdadeira caridade, ao contrário, é delicada e engenhosa no dissimular o benefício, no evitar até as simples aparências capazes de melindrar, dado que todo atrito moral aumenta o sofrimento que se origina da necessidade. Ela sabe encontrar palavras brandas e afáveis que colocam o beneficiado à vontade em presença do benfeitor, ao passo que a caridade orgulhosa o esmaga. A verdadeira generosidade adquire toda a sublimidade, quando o benfeitor, invertendo os papéis, acha meios de figurar como beneficiado diante daquele a quem presta serviço. Eis o que significam estas palavras: “Não saiba a mão esquerda o que dá a direita.”